Esterilização obrigatória por Lei

Este artigo, da autoria do Dr. Fernando Rodrigues, Médico Veterinário Municipal de Valongo, foi publicado no blog da ANVETEM (Associação Nacional de Médicos Veterinários dos Municípios).

No link que se encontra no fim do artigo, poderá ler a Tese de Mestrado do Dr. Fernando Rodrigues intitulada “”Estudo prévio para a implantação de um programa de controlo de reprodução em canídeos”, que tem o maior interesse para a problemática de que nos ocupamos neste site.

 

 Esterilização obrigatória por Lei

 Estima-se que em Portugal serão mais de 100.000 os animais anualmente eutanasiados nos centros de recolha oficiais. Este número além de assustador em termos de ética social também o é em termos económicos. Por exemplo, o preço médio de recolha, alimentação, eutanásia e incineração de um canídeo médio ronda os 60 euros, ou seja, por ano em Portugal gasta-se 6 milhões de euros na captura e abate de errantes, sem que sejam estudadas formas de minorar este gasto económico e diminuir a perda de tantas vidas animais.

 Através de estudos já realizados, conclui-se que a esterilização dos animais é o único processo que poderá diminuir de forma definitiva a reprodução dos animais. Para que surtam resultados médio/longo prazo, a esterilização deve ser executada na maioria dos animais. Para tal sou acérrimo defensor da esterilização obrigatória por Lei.

 Contudo, a esterilização não deve ser unicamente imposta. A população detentora de animais deve ser sensibilizada para os seus benefícios em termos de saúde publica e de saúde do próprio animal, como a diminuição do aparecimento de tumores mamários.

 Paralelamente deve o Estado facilitar o acesso à esterilização, comparticipando-a e regulando o seu preço junto das clínicas veterinárias.

 Será possível a substituição da eutanásia pela esterilização nos animais capturados nos centros de recolha oficiais? Certamente que não. Acrescentava-se um gasto maior que seria o da manutenção destes animais que na sua maior parte não arranjariam dono. No entanto, devem também estes centros de recolha oficiais e respectivas Autarquias modernizar-se e munir-se de meios adequados a poderem proceder à esterilização dos animais adoptados.

 Apenas com um esforço global e a abordagem deste tema numa nova perspectiva poderemos mudar a actual passividade a que temos assistido em Portugal perante a falta de controlo populacional de animais.

 Fernando Rodrigues

 Médico veterinário Municipal de Valongo

 Tese de Mestrado , leia aqui

Uma resposta to “Esterilização obrigatória por Lei”

  1. ALEXANDRA HORTA Says:

    Felizmente existem seres humanos que não pensam só neles e no seu umbigo. É de facto prioritário que se faça, na prática, e não só no papel, porque infelizmente a existência de Leis no nosso País, só são cumpridas quamdo forçadas, ou quando agem no interesse de alguém influente, e não são postas em prática pela força da própria Lei, como nos países desenvolvidos.
    É claro que não se pode culpabilizar só o Estado, os cidadãos são na maioria das vezes os grandes culpados de fecharem os olhos ao que se passa ao seu redor, e é o deixa andar. Por isso a Lei praticamente é inexistente, porque não há o hábito de a porem em prática, e como as autoridades já sabem que assim é, uma coisa leva a outra e temos um círculo vicioso, tanto seja nesta área como noutra.
    O que é certo, com as Leis que existem nas diversas áreas sobre animais domésticos, podemos concluir que continuam sem direitos nenhuns. Poucos são os espaços que um animal pode entrar, por exemplo.
    Nos EUA, o voluntariado de animais ao abandono é incrível. são autênticas quintas, com espaços amplos ao ar livre, assistência médica permanente, e as pessoas são incansáveis em tentar arranjar um dono, andam com os animais para todo lado para conhecerem os possíveis “donos” etc.
    Enfim, já estou a ser exaustiva, mas fico sempre com o coração apertado em tudo o que diz respeito a animais os domésticos e selvagens, nos maus tratos e negligência por parte dos seres humanos, que os vêem como “coisas” utilizáveis e descartáveis. Coabitamos o mesmo planeta, e não somos donos disto, mas a maioria acha que sim. Está visto!
    Muito obrigada pela sua contribuição, Dr. Fernando Rodrigues!
    Alexandra Horta

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