Archive for Agosto, 2010

Noticia do “Público” de 29 de Agosto

Agosto 29, 2010

“Esterilização obrigatória nos centros de recolha de animais

Por Filipa Mora

Medida já foi adoptada pelos municípios de Lisboa e do Porto e deverá alargar-se a todo o país

Não é um tema novo, mas volta agora a despertar atenção pela recente decisão que obriga à esterilização dos animais abandonados e recolhidos pelos canis municipais. A medida já foi adoptada pelos municípios de Lisboa e do Porto e deverá alargar-se a todo o país. Os números oficiais divulgados pela Direcção-Geral de Veterinária demonstram que mais de 44 mil cães e gatos foram recolhidos pelas autarquias nos últimos quatro anos em Portugal. A estes números, acrescem os que são entregues e/ou abandonados à porta dos canis – agora designados por Centros de Recolha Oficial (CRO) por força do Decreto-Lei 314/2003, que aboliu os termos “canil” e “gatil”. A legislação de 2003 obriga também a que todos os municípios tenham um CRO, o que nem sempre se verifica.Fernando Rodrigues, médico veterinário da Câmara de Valongo e defensor da esterilização, afirma que a lei ajuda à melhoria das condições dos centros de recolha, que nem sempre tinham capacidade para o fazer. Para o veterinário, apesar das melhorias verificadas com a nova legislação, esta ainda peca por ser “muito ambígua”. “A nossa competência é o incentivo à esterilização, mas isso tem de ser efectivamente feito pelo Ministério da Agricultura, que devia ter uma acção mais forte junto das clínicas”, completa Fernando Rodrigues, que desenvolveu uma tese sobre o Estudo prévio para a implantação de um programa de controlo de reprodução em canídeos.

O veterinário rejeita a ideia de “política de lucro”, para os veterinários, uma acusação lançada por algumas associações de defesa dos animais. Todos são, no entanto, a favor da esterilização, mas o que estas associações contestam são os valores praticados. Para o veterinário, o problema não incide nos valores praticados pelas clínicas, antes na falta de comparticipação do Estado, contrariamente ao que acontece, por exemplo, na Alemanha. Neste país, o proprietário paga uma licença vitalícia pelo animal, cujos montantes suportam uma espécie de sistema público de saúde para os animais. Rodrigues defende a realização de protocolos entre as clínicas veterinárias, autarquias e associações de defesa de animais, que permitisse às pessoas com menos posses esterilizar os seus animais.”

Abaixo-assinado de personalidades

Agosto 13, 2010

Ler, abaixo, posts de 2 de Agosto e de 25 de Julho

Actividade do Canil Municipal de Lisboa

Agosto 13, 2010

Actividade do Canil Municipal de Lisboa (1)

 Os quadros e gráficos elaborados a partir dos dados sobre a actividade do Canil Municipal de Lisboa podem ser vistos aqui

Podemos concluir que, ao longo do período considerado (2002-2009), entraram cada vez mais animais no canil/gatil de Lisboa (referimo-nos apenas aos animais vivos e a gatos e cães). Nestes últimos 8 anos, entraram, em média, 2 700 animais por ano tendo sido possível garantir uma mesma ordem de saídas através fundamentalmente do abate.

Metade dos animais que entraram no canil foram abatidos e 20% morreram, os restantes 30% ou foram restituídos ou então foram adoptados. A taxa de mortalidade (abates mais óbitos) ronda os 70%.

Face ao aumento de actividade sobretudo das capturas, mas também das entregas de animais, todas as saídas cresceram, por exemplo o abate cresceu 39% em 2009 face a 2002, enquanto o número de óbitos mais do que duplicou, tendo mesmo quadriplicado para o caso dos gatos.

Conclui-se, portanto, que a capacidade de acolhimento não aumentou, pois o aumento das entradas é acompanhamento por igual movimento de saídas, sendo o abate a solução definitiva mais utilizada.

 No Canil de Lisboa, em 2009, entraram por dia, aproximadamente, 10 animais no canil. Destes 7 morreram, dos quais 5 foram abatidos.

 A informação que existe aparenta alguma inconsistência, sendo apresentada numa óptica de “gestão de stocks”, desconhecendo-se, por exemplo, o motivo do óbito, o tempo de permanência, a capacidade instalada para permanência de animais e quais as condições de vida proporcionadas aos animais que permanecem no canil.

Fica, portanto, um conjunto de questões por responder, tais como, o que é que justifica o aumento tão significativo de óbitos? Quais os cuidados médico ou veterinários prestados? O porquê do aumento das capturas a par do aumento das entregas?  Entre os abates praticados pelos veterinários do canil quantos correspondem a animais que são entregues com doenças terminais e com indicação médica de eutanásia?

Estas e outras questões devem ser respondidas por quem detém responsabilidades nesta matéria de forma a que os munícipes de Lisboa compreendam as estratégias seguidas pela CML no que respeita os animais abandonados da cidade. Será que os habitantes de Lisboa querem:

1)     continuar a pensar que hoje deram entrada no canil  mais 10 animais e que 5 vão ser abatidos?

2)     continuar a viver com o horror da falta de solução para os milhares de animais que vivem nas nossas ruas e cujo futuro será a morte?

3)     explicar aos nossos filhos que pagamos impostos para que uns senhores tenham a tarefa de capturar o animal, em condições, por vezes, brutais, para o deixar morrer ou então para o abater?

4)     continuar a ouvir os animais chorarem e não fazerem nada?

 Ou vamos mudar de políticas e encontrar soluções sustentáveis e de acordo com o respeito pelo bem-estar dos animais em harmonia com os cidadãos de Lisboa?

 Ficam as perguntas e a vontade de implementar as soluções.

(1) Os dados que servem de base a esta análise têm as seguintes fontes:

Dados de 2002 a 2006 : http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/

Paginas/DetalhePerguntaRequerimento.aspx?ID=38344

Dados de 2007 a 2009 : enviados, a pedido, pela CML, vereação do Dr. Sá Fernandes, em 18 de Junho de 2010

“Por uma Campanha Nacional de Esterilização de Cães e Gatos”

Agosto 2, 2010

Porquê um abaixo-assinado de personalidades

Em Setembro do ano passado, antes das eleições legislativas e autárquicas, foi entregue, aos partidos políticos com assento parlamentar, um abaixo-assinado, subscrito por cerca de 3 800 cidadãos eleitores, solicitando aos partidos uma campanha  de esterilização “para pôr termo à situação de calamidade em que se encontram os animais abandonados em Portugal” (ver post de 3 de Novembro de 2009, coluna da direita).

Passou-se um ano e apesar de se terem feito progressos nalgumas localidades como se tem relatado neste site, a quase generalidade do poder central e autárquico resiste à mudança.

Um abaixo-assinado ao Sr. Ministro da Agricultura, responsável pela DGV, subscrito, agora, unicamente por personalidades, por figuras de relevo nos vários domínios da nossa sociedade, apoiando o lançamento oficial de uma Campanha Nacional de Esterilização de Cães e Gatos, pode levar o Governo a prestar mais atenção ao que estamos a dizer há um ano sem grande sucesso.

Para conseguirmos juntar, não milhares, como no ano passado, mas algumas centenas de assinaturas, é preciso que cada um de nós se sirva dos seus contactos pessoais para chegar a essas personalidades da nossa vida pública. O abaixo-assinado não está on-line justamente para termos a certeza de que as assinaturas são as pretendidas.

O texto que pode ser lido aqui, ser-lhe-á enviado para assinatura ou para recolha de assinaturas, desde que o solicite para o e-mail campanha.esterilizacao@gmail.com. O abaixo-assinado encerra a  30 de Setembro de 2010.