Relato da visita ao canil/gatil de Lisboa, realizada em 16 de Abril

No dia passado 16 de Abril, duas voluntárias do Grupo de Lisboa da Campanha de Esterilização acompanharam o deputado Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, numa visita surpresa ao canil/ gatil de Lisboa.

Constatou-se que continua a não estar disponível ao público o regulamento do canil que, nomeadamente, estabelece que só podem entrar duas pessoas de cada vez e que não podem tirar-se fotografias aos animais para sua divulgação com vista à adopção.

A visita foi acompanhada, primeiro, pela Dr.ª Filomena, tendo-se posteriormente juntado ao grupo, o Dr. Leonel e o Dr. Vasco Ribeiro.

As obras estão em curso, mas sem interferirem com os canis 1, 2 e 3 e o gatil, que continuam iguais. A cerca da zona reservada aos cães que são propriedade do canil continua também igual.

No canil 1 encontravam-se 4 cães, dos quais 2 em tratamento (um não consegue andar e outro tem um tumor no dorso) e 1 com processo pendente (que já tinha sido visto nas visitas de Dezembro). Este último cão, de grande porte, encontra-se numa das celas da esquerda, portanto sem corrente. Tendo sido perguntado por que razão o animal não é colocado no canil 3, a Dra. Filomena considerou que, uma vez que não está preso por corrente, é a mesma coisa estar no canil 1 ou no canil 3.

No canil 2, em que as celas são muito pequenas (1 a 2 m2) e sem o menor conforto, pois os animais não têm qualquer espaço próprio para se deitarem, tendo de o fazer no lajedo onde também urinam e defecam, e ainda estão em semiobscuridade, encontravam-se 9 cães, dos quais 6 da raça Pitbull. Estes animais encontram-se em quarentena por suspeita de raiva, pois apesar de esta doença estar erradicada do país desde 1960, continua em vigor a Portaria 81/2002, que estabelece o sequestro durante 15 dias de animais agressores ou agredidos. Assim, qualquer cão de um munícipe que seja simplesmente mordido por outro pode vir a encontrar-se detido naquele espaço, assim como o agressor. Foi dito que a maioria daqueles animais tem dono. Um dos cães estava deitado sobre a própria diarreia (segundo a Dr.ª Filomena, devida possivelmente a uma mudança de alimentação).

No canil 3 estavam 31 cães de todos os portes. Quinze encontravam-se sozinhos e havia 8 boxes com 2.

No gatil estava ainda uma cadela com duas crias e 2 cachorros sozinhos.

Por conseguinte, ao todo estavam no canil 45 cães, machos/fêmeas, e 4 cachorros.

Quanto aos gatos, constatou-se um aumento em relação às visitas de Dezembro (havia 22 gatos em 5/12, 13 gatos em 14/12 e 13 em 23/12). Ao todo estavam 36 gatos/as dos quais 2 gatas com 3 crias cada, e ainda um gato bebé sozinho que miava desesperadamente. Dos 25 gatos que estavam em jaulas, havia 4 jaulas com 2 gatos, uma com 3 (jovens) e uma com 1 gata com 3 crias.

Segundo a Dr.ª Filomena, tem havido capturas derivadas de queixas de munícipes, acrescentando ser necessário dinamizar mais colónias CER para evitar estas situações (1).

Em relação a anteriores visitas, a diferença é o avanço das obras.

Os munícipes que votaram no Orçamento Participativo votaram pelas obras de remodelação do canil, segundo um projecto da responsabilidade da CML. Neste momento vê-se betão. Os pontos mais negros do canil desaparecerão. Mas… e o resto?

Na petição dirigida ao Presidente da CML, Dr. António Costa, que nunca foi possível entregar-lhe pessoalmente, com mais de 1900 assinaturas e intitulada “Por uma nova gestão do canil/gatil municipal de Lisboa” (http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N12335),refere-se a necessidade de “uma profunda alteração da equipa e métodos de gestão do canil /gatil”, com o afastamento da responsável pelo mesmo desde 2003, a Dr.ª Luísa Costa Gomes. A petição termina pedindo ao presidente da autarquia que dote “o canil/gatil de uma direcção que alie os conhecimentos académicos e profissionais às técnicas modernas de gestão, à humanidade e ao respeito pelos animais, e à urbanidade nas relações com os munícipes”.

As duas voluntárias do Grupo de Lisboa chamaram ainda a atenção dos veterinários para que, aquando da celebração” da conclusão das obras, que certamente terá direito a transmissão televisiva, se não escamoteasse o facto de que o canil/gatil de Lisboa é um canil de abate e que o destino maioritário dos animais que ali entram é a morte e não a adopção.

A situação vivida até à providência cautelar, em que entravam, em média, 10 animais por dia dos quais 7 morriam, 5 deles por abate, não pode voltar a acontecer nunca mais.

 

(1)Esclarecimento

Em 23 de Junho de 2010 foi enviado ao gabinete ( Srª D. Inês Matias) do vereador Sá Fernandes, o “Plano de Acção para a Implementação da Campanha de Esterilização de Gatos Silvestres de Lisboa” , um plano ambicioso , assente na mobilização de uma vasta rede de parceiros, e que visava a esterilização de 300 gatas e 1200 gatos no período de um ano.

Na reunião realizada a 1 de Julho de 2010, entre 5 elementos da Campanha, o vereador Sá Fernandes, a responsável pelo canil, a Drª Ana Machado e a Drª. Filomena, o plano não foi discutido, dado que nenhum dos elementos da equipa do canil tinha tido oportunidade de o ler, tendo a Dra Luisa Costa Gomes assegurado que iria analisar o documento no prazo de uma semana. Até hoje aguarda-se a resposta

Uma resposta to “Relato da visita ao canil/gatil de Lisboa, realizada em 16 de Abril”

  1. Maria Gonçalves Says:

    Pessoal da Campanha, obrigada por tudo o que fazem pelos animais. Sigo sempre com interesse o v/trabalho. Assim a CML tb apresentasse bom trabalho…!

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