Lisboa – Há mesmo uma incompatibilidade entre gatos e hortas ?

Há um projecto de horta aprovado para a Rua dos Lagares, freguesia de S. Vicente, onde, a par da freguesia de Santa Maria Maior, decorre a Campanha de Esterilização de Gatos Silvestres que está a ser realizada ao abrigo do protocolo CML -GLCEaa que pode ser lido aqui http://www.campanha-esterilizacao.com/documentos/Protocolo.pdf.  Este projecto da horta está  ligado a outro  de inquestionável interesse, a Cozinha Popular dinamizada pela jornalista Adriana Freire na Mouraria.

Mas na Rua dos Lagares está já em marcha um outro projecto – o de garantir a vida, em boas condições, da colónia de gatos que há muitos anos ali vive. Colónia até há pouco desordenada, faminta, sempre em multiplicação, mas a que desde há algum tempo um grupo de voluntários, com a colaboração preciosa da Casa  dos Animais de Lisboa, acompanha, alimenta, esteriliza, desparasita.

Serão os dois projectos incompatíveis?

A horta, compreende-se, exige higiene e dispensa predadores. Os gatos da colónia perfilam-se como inimigos. Mas serão?

Mesmo alimentados com ração seca ou húmida , os gatos não perderam o seu ancestral instinto de caçar ratos, – esses, sim, bem mais perigosos para a horta e seus legumes, particularmente pelas doenças que transmitem. E até cobras, que não desdenham de passear entre vegetais, mas os citadinos preferem ver longe de si.

Assim sendo, não poderão os gatos ser, não os inimigos, mas os aliados da horta?

O espaço é suficientemente amplo para permitir, ali ao lado, no local onde até hoje sempre viveram, um abrigo para os felinos, onde possam ir vê-los todos os que gostam de animais e conhecem o valor da sua amizade. E a sua presença, paredes meias com a horta, deixará esta mais defendida de outros predadores, que a vizinhança dos gatos afugentará.

Portanto, à pergunta “Há mesmo uma incompatibilidade entre gatos e hortas ?”, a resposta só pode ser uma:

Não, não há qualquer incompatibilidade, a menos que os humanos insistam em pensar que a palavra comunidade não deve englobar outras espécies e que as comunidades humanas podem destruir as não humanas com que partilham o planeta. E que é impossível regular a convivência entre elas.

Não sendo assim – como esperamos que não seja – uma horta não pode, nem deve, desalojar uma colónia de gatos que há muito vive onde se pretende implantá-la.

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