Abates nos canis – A cínica posição da Associação Nacional de Municípios Portugueses

A ANMP começa por declarar o seu apoio de princípio ao fim dos abates nos canis o que se tornou politicamente correcto. Mas termina o parecer pedindo que se criassem primeiro as condições para isso ser possível e que se suspendesse o processo legislativo então em curso.

Onde está o cinismo da posição da ANMP ? Está no facto de a esmagadora maioria dos municípios portugueses que representa terem usado o abate para tentar, infrutiferamente, resolver o problema da sobrepopulação de cães e gatos, permanecendo surdos e insensíveis aos apelos de tantas associações para esterilizarem os animais o que poderiam ter começado a fazer, se fossem civilizados e inteligentes, há anos !!.

Fazer depender os abates nos canis da educação da população, sem outras medidas, seria o mesmo que esperar que a educação por si só resolvesse a questão da violência doméstica e nada fazer até chegar esse dia abençoado…

Dizer que a adopção não absorve grande número de animais, quando a maioria das autarquias não divulga sequer os animais que aprisionam em canis miseráveis, e a quem é aplicada a injecção letal (esperemos que bem administrada e sem ser acompanhada de mais violências) sem que nunca lhes tenha sido dada sequer a oportunidade de serem adoptados…

Têm um ano para implementar programas de esterilização. Não lhes chega? Se assim for, serão, então, completamente incompetentes e precisam das associações para lhes explicar como se faz. Se começarem desde já , SEM PERDA DE TEMPO, a esterilizar animais dos munícipes carenciados vão ter de recolher muito menos cães e gatos abandonados, gastarão menos em abates e em alojamento e vão ter mais gente disponível para adopções de animais adultos. Não é difícil de entender o encadeamento.

A lei foi aprovada, como sabemos, por unanimidade no dia 11 de Junho. Mas tem de ser regulamentada e as entidades que vão ser ouvidas para a regulamentação são a OMV , cuja posição foi analisada sumariamente no post abaixo, a Associação dos Médicos Veterinários dos Municípios, a Associação Nacional de Freguesias (desconhecem-se as posições destas duas entidades)  e a dita ANMP.

Assim, antes de festejar a vitória, deverá o movimento animal preocupar-se seriamente com o que pode resultar dessa regulamentação que pode criar obstáculos à concretização dos objectivos da lei.

Quando chegarmos a 2018, se a lei não for devidamente regulamentada, se, por exemplo, a decisão de abater ou não ficar nas mãos do veterinário municipal num contexto de grande latitude de um julgamento soberano, como pretende a OMV ( ver página 6 do parecer da OMV, no post abaixo ), teremos a chorar uma oportunidade perdida.

É nossa responsabilidade alertar e agir para que tal não aconteça.

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