Archive for Agosto, 2016

Lei do fim dos abates nos canis – A parte que nos cabe fazer junto das autarquias (I)

Agosto 26, 2016

Lei n.º 27/2016 de 23 de agosto – https://dre.pt/application/conteudo/75170435

Em relação aos abates o que diz a lei? O abate “por motivos de sobrepopulação, de sobrelotação, de incapacidade económica ou outra que impeça a normal detenção pelo seu detentor, é proibido, exceto por razões que se prendam com o estado de saúde ou o comportamento dos mesmos” ( ponto 4 – artº 3º).

Esta proibição efectiva-se 2 anos após a entrada em vigor da lei ou seja em 23 de Setembro de 2018.

Até lá, as Câmaras são supostas criar as condições para reduzir o abandono e consequentemente as entradas nos canis. Como ? Através de programas de esterilização. A quem se destinam esses programas de esterilização ? A lei só refere explicitamente os animais errantes e as colónias de gatos a quem se aplicará o programa CED ( artº 4º). Os animais dos munícipes carenciados que hoje já são objecto de programas de esterilização por parte de alguns municípios não são, lamentavelmente, referidos. Ora, todos os que andam no terreno sabem que as chamadas ninhadas domésticas são a principal razão da sobrepopulação de cães.

No artº 5º, referente ao período de transição que decorre até 23 de Setembro de 2018, ponto 2, é dito que “Os centros de recolha oficial de animais dispõem do prazo de um ano, a contar da data de entrada em vigor da presente lei, para implementar as condições técnicas para a realização da esterilização, nos termos legais e regulamentares previstos “.

Ou seja, em Setembro de 2017 as Câmaras devem ser capazes de concretizar a esterilização cujas condições técnicas de implementação  andaram a estudar durante um ano… Nada impede que comecem a esterilizar antes  mas apontar tal prazo é caminho andado para que a maioria dos municípios nada faça durante um ano e perca, assim, um tempo precioso  para começar a reduzir o abandono.

A Campanha de Esterilização de Animais Abandonados defendeu desde o primeiro dia da sua existência a intervenção activa das associações e protectores junto dos órgãos autárquicos como o meio mais eficaz para conseguir alterações de fundo à trágica situação dos animais de companhia.

No momento actual essa intervenção é fulcral e deve incidir em dois aspectos :

– a necessidade de as Câmaras lançarem programas de esterilização para os animais de munícipes carenciados no mais curto prazo de tempo;

– a urgência de começar a esterilizar os animais que dão em adopção.

Em Setembro/Outubro a maioria das autarquias realiza assembleias municipais com intervenção do público. Nas assembleias municipais está representado o partido que detém o executivo da Câmara e as oposições sendo, por isso, o local indicado para iniciar os contactos a que depois se devem seguir reuniões com a Câmara,

Se as associações e os protectores de animais não aproveitarem estas sessões para exercer pressão sobre os órgãos autárquicos arriscamo-nos seriamente a ter uma situação complicada em Setembro de 2018

Os dados da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), relativos a 2015, indicam que os canis municipais recolheram 30.192 animais (23.706 cães e 6 486 gatos).

Destes, 12.073 acabaram por ser abatidos, 2.128 voltaram aos donos e 12.567 foram adotados ( NOTA – a esmagadora maioria sem terem sido esterilizados)

É preciso rapidamente reduzir este nível de abandono e as adopções sem esterilização.

Proximamente, apresentaremos uma minuta que pode servir para preparar a intervenção nas assembleias municipais desde que adaptada ao caso de cada município.

 

 

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Publicada em DR a lei do fim dos abates nos canis

Agosto 23, 2016
Há 7 anos surgia a Campanha de Esterilização dos Animais Abandonados preconizando:
1.Os canis municipais devem esterilizar obrigatoriamente todos os animais que dão em adopção .
2. As Câmaras devem celebrar protocolos com as associações de defesa animal que actuam no concelho para a esterilização dos animais abandonados que estas recolhem,
3. As Câmaras devem proporcionar aos munícipes com recursos limitados a esterilização gratuita dos animais que possuem
O que andámos para aqui chegar, HOJE  https://dre.pt/application/conteudo/75170435
A lei entra em vigor daqui a 1 mês. Os abates só acabam em 2018.
No período de transição , que dura dois anos, as medidas acima referidas vão ter de ser implementadas para se chegar a 2018 com uma redução muito significativa do abandono.
Como diz a canção do José Mário Branco
“É um sonho lindo para viver quando toda a gente assim quiser”
https://www.youtube.com/watch?v=LSKgs10oOQE

Declarações do Bastonário da Ordem dos Veterinários sobre as razões do abandono

Agosto 19, 2016

Nem uma palavra sobre a sobrepopulação de cães e gatos e a necessidade da esterilização, não só dos animais errantes como dos animais de munícipes. Porque assim a Ordem, passa as culpas para o poder político – que as tem e muitas – mas omite fazer referência à parte que lhe caberia na luta contra o abandono : oferecer campanhas de esterilização gratuitas. Que não faz nem deixa fazer.

http://www.acorianooriental.pt/noticia/falta-vontade-politica-para-acabar-com-o-abandono-de-animais