Canis intermunicipais : a solução “mais barata” para o “encaminhamento final” (1) de cães e gatos abandonados

(1) expressão usada no site do CAGIA – http://www.resialentejo.pt/new/cagia/index.php

A filosofia é simples: as Câmaras juntam-se para partilhar os custos de manutenção e funcionamento de uma infraestrutura, o canil intermunicipal, que tem um aspecto muito satisfatório e uma boa apresentação na internet, baixando o “custo do serviço” que é prestado aos municípios. Este serviço consiste na recolha de animais abandonados dos municípios aderentes, a sua permanência no local, pelo menos durante o tempo mínimo de 8 dias, o seu abate e a incineração do cadáver. Sem voluntários, o que se passa nos intermunicipais fica no segredo das empresas que os gerem.

Temos, com esta rentabilização dos “recursos disponíveis, trabalhando em equipa” que uma estrutura mínima como a do CAGIA, Canil/Gatil Intermunicipal da RESIALENTEJO – Beja, dispondo unicamente de 22 boxes, consegue “servir” 11 municípios, a saber , Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Beja, Castro Verde, Cuba, Moura, Ourique, Reguengos de Monsaraz, Serpa e Vidigueira. Como? Encaminhando rapidamente para a solução final os animais que entram.

(Sobre as estatísticas da movimentação de animais no CAGIA ver https://campanhaesterilizacaoanimal.wordpress.com/2015/01/22/beja-canil-intermunicipal-da-amalga-em-2010-abateu-86-dos-gatos-e-44-dos-caes-entrados/)

Para além da joia de entrada, os municípios pagam aos intermunicipais uma mensalidade que no caso do de Proença a Nova é de 333 euros ( 4000 euros /ano) .

Este intermunicipal de Proença a Nova começou por servir os concelhos de Proença-a-Nova, Mação, Oleiros, Sertã e Vila Velha de Ródão, tendo passado, em fevereiro de 2013, a servir também os concelhos de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Idanha-a-Nova, Pedrógão Grande e Penamacor.

Fala-se agora que a Câmara de Castelo Branco pretende enviar para lá entre 300 a 400 cães do amplo espaço que era gerido pela APAAE, alegando o veterinário municipal que “não podem ficar para sempre no canil” e que terão de ser mortos.

Em 2011, em resposta ao requerimento do CDS – AR, a Câmara de Proença a Nova declarava que o canil tinha uma lotação para 200 cães e 30 gatos, referia que o tempo médio de permanência era de 60 dias, lamentava que a taxa de adopção não ultrapassasse os 50 % e que a taxa de abate “orçasse” os 50%..

Como já se referiu acima depois disso mais 5 concelhos passaram a usar os serviços deste intermunicipal . Não é difícil prever quais serão hoje as taxas de abate.

A forma como muitas Câmaras resolvem a questão dos “animais vadios” é , pelo número de animais que vitimam, e pelas circunstancias que rodeiam o processo de limpeza, muito mais tenebrosa do que se imagina. Precisamos de um sobressalto cívico que lhe ponha termo.

Está em execução uma lei – Lei 27/ 2016 de 23 de Agosto – que prevê o fim dos abates em 2018. Tendo em vista esse objectivo as Câmaras têm de iniciar a esterilização , não só dos animais que dão em adopção e que não são, como sabemos , em número suficiente , como dos animais dos munícipes carenciados do concelho de forma a reduzir as entradas nos canis, única situação que permitirá o fim dos abates.

Os canis intermunicipais, pela sua localização, longe das povoações e das associações e protectores, com reduzido número de adopções e elevada entrada de animais, serviam a solução do abate mas não o modelo que se pretende agora implantar, baseado na esterilização e na colaboração entre associações e autarquias com vista à dinamização das adopções ( quem vai adoptar um animal que está a km de distância?) e à sensibilização da população para o não abandono.

Por mais um erro de visão, funcionando ainda dentro do anterior paradigma, a AMAL Comunidade Intermunicipal do Algarve está a avançar com um estudo económico-financeiro para avaliar a viabilidade da construção de dois canis intermunicipais, um no Sotavento (Alcoutim) e outro no Barlavento, «associando todos os municípios da região». Também se fala de intermunicipais no Alentejo Norte.

Exige-se a mobilização das associações e protectores em defesa dos animais das suas regiões, não deixando que esta deslocalização que segue o adágio “ longe da vista , longe do coração “ se concretize.

 

 

 

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3 Respostas to “Canis intermunicipais : a solução “mais barata” para o “encaminhamento final” (1) de cães e gatos abandonados”

  1. Graça Horta Says:

    Não aos intermunicipais.
    Sim, à esterilização imediata.

  2. Deolinda Vilela Says:

    Não aos canis intermunicipais e à sua vil e tenebrosa solução.
    Sim à mobilização das associações e defensores dos animais para que em conjunto com os municipios se proceda à esterilização imediata,conforme dever cívico de todos nós e de um estado de direito.

  3. Aurora Deus Says:

    Mas isto é a guerra da Siria? Alguém de direito tem que fazer alguma coisa com o apoio de todas as associações dos animais e além o povo tem que ter vóz os politicos não são autónomos apenas são representantes do povo !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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