Os canis intermunicipais não são estruturas adequadas para cumprir os objectivos da Lei 27/2016

A filosofia dos intermunicipais é simples: as Câmaras juntam-se para partilhar os custos de manutenção e funcionamento de uma infraestrutura, o canil intermunicipal, que tem um aspecto muito satisfatório e uma boa apresentação na internet, baixando o “custo do serviço” que é prestado aos municípios. Este serviço consiste na recolha de animais abandonados dos municípios aderentes, a sua permanência no local, pelo menos durante o tempo mínimo de 8 dias, o seu abate e a incineração do cadáver. Sem regime de voluntariado, o que se passa nos intermunicipais fica no segredo das empresas que os gerem.

Temos, com esta rentabilização dos “recursos disponíveis, trabalhando em equipa” que, por exemplo, uma estrutura mínima como a do CAGIA, Canil/Gatil Intermunicipal da RESIALENTEJO – Beja, dispondo unicamente de 22 boxes, consegue “servir” 11 municípios, a saber , Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Beja, Castro Verde, Cuba, Moura, Ourique, Reguengos de Monsaraz, Serpa e Vidigueira. Como? Encaminhando rapidamente para a solução final os animais que entram.

A lista dos municípios que se servem de intermunicipais pode ser vista aqui (referente a dados da DGAV de Junho de 2016)

Para além da joia de entrada, os municípios pagam aos intermunicipais uma mensalidade de várias centenas de euros.

Indesmentivelmente, os canis intermunicipais são estruturas adequadas para uma politica de abate de cães e gatos. Poderão ser reorientados para servir o não abate e uma politica centrada na esterilização, e na cooperação entre protectores/associações e entidades públicas, em particular as Câmaras , nos vários aspectos, para atingir esse desiderato ?

O próprio titulo da Lei 27/2016 entra em choque com o conceito de intermunicipal

A Lei “aprova medidas para a criação de uma rede de centros de recolha oficial de animais e estabelece a proibição do abate de animais errantes como forma de controlo da população”

O intermunicipal concentra, a Lei fala numa rede de CRO . E porquê?

Porque a pedra angular desta Lei não está nas estruturas físicas para o acolhimento dos animais que deixarão de ser abatidos. Não se trata de criar mega depósitos de animais cativos, não queremos nem admitimos isso. Trata-se sim de reduzir urgentemente a sobrepopulação de cães e gatos, o abandono daí resultante, e a consequente entrada de animais nos canis,  através de diferentes medidas que vão desde a sensibilização e educação da população, até à mais importante de todas, a esterilização que permitirá eliminar as ninhadas indesejadas, os animais dados  a trouxe mouxe a vizinhos e amigos e que acabam nas ruas mais tarde ou mais cedo.

Ora, os canis intermunicipais, pela sua localização, longe das povoações e das associações e protectores, de difícil acesso aos voluntários e aos adoptantes, servindo vários municípios com características diferenciadas, sem laços de proximidade ou afinidade particular com nenhum destes, com gestões com pouca ou nenhuma apetência para o trabalho em prol do bem estar e da preservação da vida dos animais abandonados, dificilmente terão condições para criar as condições necessárias ao não abate e poderão constituir mesmo sérios obstáculos à sua prossecução.

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3 Respostas to “Os canis intermunicipais não são estruturas adequadas para cumprir os objectivos da Lei 27/2016”

  1. maria carla oliveira Says:

    Sim, parece-me inadmissível, sobretudo após a Lei nº 27/2016, a implementação de canis intermunicipais, que, com ou sem esta lei, continuariam a ser antros de abate indiscriminado, com a agravante de mais sofrimento: a viagem, a ausência de voluntários, a dificuldade, ou impossibilidade, de algum controle sobre a forma e o modo do abate…
    Não pode passar!

  2. rita a. ribeiro Says:

    E´preciso pressionar os municipios no sentido de criarem espaços apropriados para poderem cumprir a lei e trabalharem em conjunto com as associações de proteção animal locais.
    E´inadmissivel esse canil de Beja com apenas 22 boxes “servir” tantos municipios. E´obvio o que lá se passa…
    Que tal mandar o texto para os varios municipios/camaras para os pressionar? Também convinha alertar o PAN e a assoc. Animal pois podem ajudar na pressão…

  3. Maria do Carmo Vieira Says:

    Em total sintonia com Maria Carla Oliveira. Maria do carmo Vieira

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