BALANÇO DOS 6 MESES DA CAMPANHA DE ESTERILIZAÇÃO (Novembro de 2009 -Abril 2010)

Dos cerca de 550 munícipes inscritos provenientes de 103 concelhos, só 47 concelhos têm grupos com 3 ou mais pessoas, ou seja, reúnem condições mínimas de funcionamento. Dez grupos já reuniram com as autarquias ( Águeda, Aveiro, Évora, Tavira, Amadora, Cascais , Lisboa , Oeiras, Almada e Porto) e quatro estão a discutir com as autarquias propostas concretas de implementação da Campanha a nível concelhio (Cascais, Oeiras, Évora e Lisboa) .

Em Lisboa assistiu-se a um processo inédito com a aprovação pela Assembleia Municipal de Lisboa de duas recomendações que consubstanciaram as reivindicações da campanha, sendo ainda exigida a suspensão das capturas de gatos das colónias da cidade até à construção do novo gatil, dada a mortalidade elevadíssima, revelada pelas estatísticas, provocada pelas deficientes e insalubres instalações. Em contrapartida da suspensão das capturas, o Grupo de Lisboa propôs-se levar a cabo uma campanha de Esterilização dos Gatos Silvestres da Cidade, com o objectivo proposto de esterilizar 300 gatas e 1200 machos no período de um ano e assim obter uma diminuição da população das colónias superior à obtida pelo canil com os abates.

Dificuldades mais frequentes encontradas pelos Grupos nos seus contactos com as autarquias e canis municipais :

As autarquias tendem a minimizar o alcance do Artª 21 do Decreto-lei 276/2001 de 17 de Outubro (integrado no Decreto –Lei 315/2003 de 17 de Dezembro) referente ao controlo da reprodução pelas câmaras municipais que estipula que “ sempre que necessário e sob a responsabilidade do médico veterinário municipal …podem as câmaras municipais incentivar e promover o controlo da reprodução de animais de companhia, nomeadamente de cães e gatos errantes…” O artº não diz de facto que é obrigatório. Mas se o abate, por vezes de centenas de animais, no canil municipal respectivo não constitue uma necessidade para esterilizar, então a que outra necessidade se poderia estar a referir o legislador?

Também têm aparecido veterinários municipais que dizem não poder colaborar com os objectivos da Campanha porque  não se pode  esterilizar nos canis o que é desmentido pela prática já existente nalguns canis dos país, entre outros o de Lisboa.

8 Respostas to “BALANÇO DOS 6 MESES DA CAMPANHA DE ESTERILIZAÇÃO (Novembro de 2009 -Abril 2010)”

  1. LUIS CRUZ Says:

    Estou a par das diligências levadas a cabo pelas associações com as câmaras municipais, nomeadamente de Lisboa. Como veterinário que exerce há mais de 15 anos choca-me o tratamento que continua a ser dispensado aos animais errantes. Muitos colegas me confidenciam as precárias condições em qua trabalham os canis e gatis camarários em Portugal. Verificam-se cortes nos orçamentos destinados à construção ou manutenção dos mesmos. Houve um tempo de vacas gordas de grandes remessas europeias em que as autarquias não fizeram os investimentos necessários e agora é tudo mais difícil de concretizar. Alguém já estudou o assunto em termos de bem estar animal para verificar se existem fundos europeus para estes investimentos e ou procedimentos de controle reprodutivo? Ajuda técnica precisa-se!
    Todas as profissões são chamadas a ajudar. Esperamos que o Guia de boas práticas na esterilização de animais tenha uma concretização célere. Da nossa parte, muitas dezenas de veterinários continuam mobilizados nas suas clínicas a fazer medicina veterinária social de forma isolada mas o assunto é complexo pois não faz sentido que se esterilizem animais para posteriormente serem capturados pelos serviços municipais e abatidos!!! É por isso necessário que a tutela – DGV se pronuncie., além da Ordem dos MV. Se o “Estado” não somos nós, é hora do estado se pronunciar acerca de iniciativas que o substituem nas suas obrigações e deveres até agora não cumpridos.

  2. Sara Espírito Santo Says:

    Muito obrigado Dr. Luís por fazer parte da fatia da sociedade que se preocupa com o bem-estar animal e os seus direitos como seres vivos que são. Era bom que mais veterinários se impusessem contra a realidade dos canis/gatis de Portugal, dessem o exemplo de boas práticas, mostrassem ao estado o seu descontentamento e do que é um verdadeiro ser humano!!!

  3. Maria Osvalda Arez Gonçalves Says:

    Em Almada continuamos a lutar pelos canil/gatil, aumentar o canil, construir o gatil, e ESTERILIZAÇÕES gratuitas ou comparticipadas, é urgente.

  4. josefina de carvalho Says:

    Boa noite! Que bom haver um Dr. Luis Cruz, uma luz ao fundo do túnel. Vivo perto do Hospital D.Estefânea,onde ,no jardim,há muitos gatos /as e muitas ninhadas durante o ano. Difícil controlar esta situaçao e muito difícil apanhar os bébés .Por vezes quando se conseguem apanhar já estão quase cegos devido à coriza. São alimentados, por isso se mantêm lá. Era urgente castrar os gatos,pelo menos. Tb ao lado na Academia Militar se passa o mesmo,mas aí não se tem acesso a eles. Penso que em ambos os lados se desconhece o PROGRAMA CER da Câmara . O que se poderá fazer no mais breve espaço de tempo? Obrigada J. C.

  5. Ana Matrena Says:

    A esterilização dos animais de companhia e as actividades de Captura, Esterilização e Devolução/Recolocação de animais errantes começam a ser reconhecidas como uma alavanca para uma melhor cidadania.

    Por exemplo, as colónias de gatos esterilizados existentes em meio urbano apresentam animais mais saudáveis, menos ruidosos e em número controlado.
    Simultaneamente reduzem-se as frequentes desavenças entre cuidadores das colónias e os vizinhos das mesmas.

    A Ordem dos Médicos Veterinários já demonstrou o seu empenho e o Guia de Boas Práticas permitirá que muitos mais médicos contribuam decisivamente para minorar o abandono, maus tratos e abate indiscriminado de animais.

    Os voluntários continuam a aumentar e a mobilizar-se para que em conjunto com os responsáveis pelas colónias o maior número de animais errantes seja esterilizado e se possível encaminhado para adopção.

    É o momento de a DGV e os canis/gatis de todo o país contribuirem para que a esterilização maciça de animais errantes ou pertencentes e cidadãos carenciados seja uma realidade em Portugal.

  6. Maria Irene Reis Says:

    Bem haja. Precisamos de mais humanos assim.

  7. Marta Correia Says:

    Dr. Luís Cruz: faça ouvir a sua voz, pois de facto precisamos da sua palavra neste país onde se vive uma tragédia com animais errantes!

  8. manu carmo costa Says:

    Salvé Dr. Luis Cruz, que conheço sei como é bom mádico, consciente e humano, tratou o meu lab nas Laranjeiras e não esqueço o seu empenho. Possam muitos colegas seus ter a vontade e disponibilidade de se juntarem a esta missão de cidadania e ética com os anjos de 4 patas tão maltratados neste atrazo de país emergente sem tradição de amor e protecção aos animais.

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